

A descarbonização da indústria é hoje um dos grandes desafios da transição energética, sobretudo em setores intensivos em energia e difíceis de eletrificar, como a indústria transformadora, a química, o cimento, o aço, a cerâmica ou os transportes pesados. Apesar do avanço da eletrificação, muitos processos industriais continuam a exigir fontes energéticas com elevada densidade e estabilidade, o que torna inevitável a procura de alternativas aos combustíveis fósseis. É neste contexto que os combustíveis verdes assumem um papel central.
O que são combustíveis verdes?
Os combustíveis verdes correspondem a soluções energéticas produzidas a partir de fontes renováveis ou de processos integrados de economia circular, apresentando uma pegada carbónica significativamente inferior à dos combustíveis tradicionais. Incluem opções como o hidrogénio verde, os biocombustíveis avançados, os combustíveis sintéticos, os gases renováveis e os combustíveis produzidos a partir de resíduos. A sua principal mais-valia reside na capacidade de reduzir emissões de CO₂ de forma direta, sem exigir, em muitos casos, alterações profundas às infraestruturas industriais existentes.
Porque são críticos para a indústria?
Na prática, estes combustíveis permitem substituir carvão, fuelóleo ou gás natural em processos térmicos e industriais complexos, assegurando continuidade operacional e competitividade económica. Para muitas indústrias, representam a solução mais viável no curto e médio prazo para avançar na descarbonização, enquanto tecnologias totalmente eletrificadas não atingem maturidade ou escala suficiente.
Combustíveis verdes e economia circular
Um aspeto particularmente relevante dos combustíveis verdes é a sua ligação à economia circular. Tecnologias que convertem resíduos, como resíduos plásticos, biomassa ou subprodutos industriais, em energia ou combustíveis renováveis permitem resolver simultaneamente desafios ambientais distintos: a gestão eficiente de resíduos e a redução de emissões de gases com efeito de estufa. Este modelo contribui para a diminuição da dependência de recursos fósseis, reduz a pressão sobre aterros e promove cadeias de valor locais, com impacto económico e ambiental positivo.
Vantagem competitiva e enquadramento regulatório
A adoção de combustíveis verdes deixou, entretanto, de ser apenas uma resposta ambiental e passou a assumir uma dimensão claramente estratégica. A regulamentação europeia, os mecanismos de precificação do carbono, as metas de neutralidade climática e a crescente exigência em matéria de critérios ESG estão a acelerar a transformação do setor industrial. As empresas que integram combustíveis verdes nos seus processos produtivos reduzem a exposição ao risco regulatório e ao custo do carbono, reforçam a sua atratividade junto de investidores e financiadores e melhoram o seu posicionamento competitivo em mercados cada vez mais orientados para a sustentabilidade.
Desafios e caminhos futuros
Apesar do seu elevado potencial, subsistem desafios importantes, nomeadamente ao nível dos custos de produção, da escalabilidade, das infraestruturas e do enquadramento regulatório. No entanto, o investimento em inovação, o desenvolvimento tecnológico e o apoio de políticas públicas e instrumentos de financiamento estão a acelerar a maturação destas soluções.
O futuro da indústria descarbonizada será necessariamente híbrido, combinando eficiência energética, eletrificação sempre que possível, combustíveis verdes e, de forma residual, mecanismos de compensação de emissões. Neste cenário, os combustíveis verdes afirmam-se como um pilar essencial da transição energética industrial, não apenas como solução técnica, mas como catalisador de novos modelos económicos mais resilientes, circulares e alinhados com os objetivos climáticos globais.
Andreia Arenga
22.01.2026
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